Como é assistir a um jogo da Champions League

Chegamos em Paris sem saber de nada. Era dia 12/02/17. Vínhamos de Londres e iríamos ficar 10 dias na Cidade Luz. Encontramos nosso anfitrião e nos instalamos num apartamentozinho (inho mesmo) da Rue Xavier Privas, uma lateral da agitada Rue de la Huchette (repleta de “restaurantes” pega-turista). Era início da tarde, e já estávamos nos aprontando pra sair e bater perna pela cidade. Mas espera aí… Não tínhamos ouvido falar, ainda em Londres, sobre um jogo da Champions que ocorreria em Paris? E não era contra o Barça? Pelas oitavas de final? Pesquisamos e… Sim, sim, sim! Não pensamos duas vezes: a gente tinha que ir nesse jogo, custe o que custar (literalmente $$$)!

Depois de muita pesquisa na internet, chegamos à conclusão de que a melhor opção era comprar os ingressos pelo site viagogo, afinal os ingressos pelo site oficial já estavam esgotados. Depois de várias tentativas, conseguimos comprar os 2 tickets (o site é meio complicado. As opções de ingresso mudam toda hora, e você tem que ser rápido na escolha). Já aviso: não é nada barato! Pagamos €130 cada um, enquanto o preço original do ingresso era €90. Ou seja, é uma espécie de cambista virtual. Mas que te salva (muito) se você não se programou para aquele evento. Se não fosse o viagogo, nem teríamos tido a chance de ir ao jogo. E te digo, amigo(a) viajante: foi sem dúvidas o ponto alto de nossa viagem de 2 meses pela Europa. Até quem não gosta muito de futebol se arrepia!

Brasileirão é muito massa. Já acompanhei série A, B, C, D e futebol amador. Da arquibancada, não do sofá! Sou corintiano e jequeano. Fui sócio do JEC desde a série D até a ascensão à Série A. Ia aos jogos do Corinthians em Curitiba e fui, inclusive, ao Pacaembu. Muitas vezes em meio às organizadas. Ver o teu time de perto é uma sensação indescritível. Estar no meio da torcida e entoar os cantos que só quem faz parte daquilo sabe é muito bom. Mas Champions, meu amigo, é diferente. Eu sei… A garra e a paixão podem não ser as mesmas. O dinheiro envolvido em um campeonato como esse faz o Brasileirão parecer pelada. A torcida pode não ser tão apaixonada (aliás, é cheio de turista nesses jogos). Mas você estar num estádio como o Parc des Princes, em uma cidade como Paris, para assistir a um jogo que você sabe que meio mundo tá vendo, com estrelas como Messi, Neymar, Suárez, Di María e Cavani: não tem preço!

Não podia ter sido melhor. Imprimimos os nossos ingressos em uma livraria, graças à ajuda do dono do local (taí as pessoas que fazem a diferença na tua trip) e seguimos para a estação Cluny-La Sorbonne. Estávamos ansiosíssimos! Em pleno inverno francês a temperatura das ruas de Paris só aumentava à espera do jogão que estava por vir. Os bares do Quartier Latin já começavam a lotar de turistas e locais que se misturavam pra acompanhar o duelo. E em meio a toda essa atmosfera, eu e a Isa estávamos em um metrô da linha 10, direção Boulogne Porte de St-Cloud. Descemos na estação Michelange Auteuil e pegamos a linha 9, direção Pont de Sèvres. Por fim, descemos na estação Porte de St-Cloud, próxima ao estádio Parc des Princes. Subindo as escadarias, nos deparamos com centenas de pessoas circulando com camisetas e faixas do PSG. A segurança estava reforçada e havia diversos funcionários para dar informações. Nos aproximamos de um deles e perguntamos onde deveríamos entrar. Cordialmente, ele nos disse que deveríamos dar toda a volta, mas como estávamos bem adiantados não nos preocupamos.

Parc des Princes visto da rua

Seguimos para o portão K e ficamos esperando a abertura dos portões. Diversas emissoras estavam documentando o jogo (ficamos observando uma repórter da ESPN España). Portões abertos, seguimos com nossos ingressos de papel (no fim acabamos passando o código de barras que estava no wallet do nosso celular. Ou seja, nem precisava ter imprimido), passamos o código no scanner e recebemos pequenos comprovantes de papel (os quais trouxemos como relíquias daquela noite memorável e colocamos em nosso “cantinho mundo” de casa). Nos encaminhamos para a Tribuna Borelli, acesso 316, onde ficaríamos. Aliás, é um ótimo lugar para ver o jogo! Fica na diagonal do estádio, tem uma ótima vista para o campo e fica longe da muvuca das organizadas. Nas nossas cadeirinhas ainda havia 2 bandeiras do PSG, as quais levaríamos para casa como relíquia também. Nos instalamos e ficamos apreciando o estádio e a torcida, além do aquecimento dos jogadores do Barça (vimos um bate-bola do Messi, Neymar e Suárez de perto) e do PSG.

Reporter da ESPN España em frente ao Parc des Princes

O Parc des Princes não parava de encher. O duelo prometia: de um lado, um dos melhores times da atualidade, com nomes de peso; do outro, um PSG forte, com Di María e Cavani, jogando em casa com apoio da torcida. Faltando 5 minutos, os jogadores começaram a entrar, e todos no estádio se levantaram. Então, um dos momentos mais marcantes da minha vida de apaixonado por futebol: o hino da Champions League, com o bandeirão no centro do campo flamulando. Sempre me imaginava num jogo da Champions ouvindo aquele hino ao vivo, sentindo na pele o que é estar na arquibancada de um jogo desses.

Mosaico com a inscrição: “Juntos somos invencíveis”, em francês

Terminado esse momento único, os jogadores se posicionaram e o juiz autorizou o pontapé inicial. Aos 17’, Di María marcou em uma cobrança de falta. Para ampliar a vantagem no 1º tempo, Draxler marcou mais um para o PSG, aos 40’. No intervalo, aproveitamos que estávamos perto da saída e fomos comprar uma pipoca. Voltamos aos nossos assentos e aguardamos o início do 2º tempo. Jogo retomado. Não demorou muito para o PSG fazer o 3º: Di María, aos 10’, marcou para o time francês. Se não bastasse um 3×0 sobre o poderoso Barça, o uruguaio Cavani fez mais um para o PSG, aos 26’ do 2º tempo, consagrando o placar de 4×0, que se manteve até o final do jogo. Não podia ter dado outra: o PSG dominou o jogo de uma forma majestosa. A sinergia dos setores de criação com os de defesa e marcação foi incrível. Do lado catalão, Messi ficou apagado o jogo inteiro, e apenas Neymar fez uma atuação que pudesse poupar críticas. QUE JOGO! Estávamos radiantes, assim como a torcida francesa, que compareceu em peso ao Parc des Princes e entoou por 90 minutos: “Ooooh, oh liberté”.

Saímos mais que satisfeitos. Não só porque aquele jogo ficaria marcado para a história da Champions e o mundo inteiro comentaria aquela vitória esmagadora do PSG sobre o Barça. Mas porque aquele espetáculo (o memorável hino da Champions, a vibrante torcida, as coloridas bandeiras do PSG flamulando) nos marcaria para sempre. E o que dizer da Isa, que mesmo não gostando tanto de futebol, não pensou duas vezes quando falei do jogo e acabou viciando em Champions League hahaha. Não perdemos um jogo até a final. Sempre acompanhados de pipoca e nossas relíquias daquele 14 de fevereiro de 2017.

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