Diferenças entre viajar na Europa e na América Latina

Desde que nos conhecemos eu e o Henrique fizemos duas viagens internacionais juntos. Uma delas de dois meses para a Europa e uma de 24 dias para Peru e Bolívia. E as diferenças foram gritantes em vários aspectos.

Preços e gastos: Só para começar o euro tem uma diferença enorme para com o real (1 euro= R$3,80 na cotação mais recente), enquanto o sol peruano é quase equivalente ao real, ou seja proporção de quase 1:1. Tudo fica bem mais caro para  os brasileiros. Qualquer cafezinho de meros 3 euros se convertidos se tornam quase R$12,00. Frequentar um museu então! Um ingresso pode custar entre 12-14 euros. Não converta, a não ser que você queira enlouquecer. O custo de vida da principais cidades europeias destoam muito do que pagamos no dia-a-dia. Mas, o serviço costuma ser muito bom. Os mercados que frequentamos em Roma, por exemplo, tinham produtos de altíssima qualidade. O Peru é muito diferente. Os produtos costumam sair até mais baratos que no Brasil (com algumas exceções). Até comer fora no almoço e no jantar se torna altamente acessível (na Europa pode quebrar facilmente seu orçamento). Mesmo restaurantes peruanos chics não tinham preços estratosféricos. E esses preços eram diferentes também nos meios de transporte, nos hotéis, nos produtos…

Relaxar: Em minha opinião quanto mais bem organizado é um pais, mais o turista consegue relaxar. Bons trens, pontuais, serviços de ótima qualidade, locomoção fácil dentro das cidades… E isso tudo ocorreu na Europa. Pegamos trens de alto padrão, nos deslocávamos bem dentro e entre as cidades. A organização desses países estava sempre a nosso favor. Além do mais conseguimos fazer todos os passeios de forma independente (o que para nós é muito melhor que passeios em grupo, tipo tour). Já no Peru e na Bolívia a realidade foi outra. Pegamos alguns ônibus na Bolivia e nos deparamos com ônibus de infra-estrutura ruim, sem cinto de segurança, quentes e demorados (demorados!) Transportes públicos muito ruins, passeios desorganizados em grupo, dificuldades de logísticas de todo o tipo. Chegamos de viagem mais cansados do que antes. Foi difícil relaxar. Sem água quente no hotel, wi-fi que não pega…Além disso, o pais estava um caos enquanto estávamos lá. Greve pesada de professores, deslizamento de terra na Carretera Panamericana ( que nos obrigou a pegar um ônibus de 32h de Arequipa a Lima- que geralmente dura a metade disso).

Cultura: A diferença cultural e social é simplesmente gigantesca. Crianças trabalhando desde cedo, trânsito caótico e desorganizado (que ninguém para de jeito nenhum para você atravessar a rua), a vontade de sempre arrancar mais um dinheiro do turista ( o dinheiro parece às vezes ser o centro de tudo a toda hora). Às vezes tínhamos que respirar fundo e deixar para lá. Não digo que a Europa é o maior paraíso do mundo, mas o comportamento dos povos difere em muito. E essa diferença atrapalha um pouco a sua visita. Tira um pouco o seu brilho. Algumas vezes quiseram nos fazer preços mais altos que o justo, mas fomos salvos por anfitriões ou recepcionistas de hotéis que nos diziam que preços negociar. E no Peru e na Bolivia, muitas negociações são informais. Então, assim como você pode ter pagado um preço bom , o gringo do seu lado pode ter pagado um preço bem mais exorbitante. Será que é justo que seja assim?

Paisagem x museus e igrejas: Se você for para o Peru e para a Bolivia, você encontrará muitas paisagens lindíssimas. De realmente tirar o fôlego. Além, é claro, de aprender sobre a história dos incas. É um tipo de viagem perfeita para quem adora estar em contato com a natureza e tirar fotos dignas de protetor de tela de notebook. Em contrapartida, na viagem a Europa Ocidental, você verá muito mais igrejas, museus e praças. São cidades com estrutura para isso. É claro que as cidades peruanas e bolivianas também apresentam esse tipo de atração, mas com estrutura bem menos exorbitante que a europeia. O que manda no Peru e na Bolivia são os tours , seja dentro da cidade ou fora dela, muitas vezes em direção aos sitios arqueológicos. Nós, pessoalmente, adoramos museus e as grandes praças europeias. Apesar de estarmos sempre em contato com a historia dos incas, às vezes sentíamos falta de arte. Essa que se mostrou constante na viagem à Europa.

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