Como não cair em frias no Peru (e de quebra economizar um bom dinheiro)

O Peru se tornou, nos últimos anos, um destino muito popular, sobretudo entre os brasileiros, os estadunidenses e os europeus. Estivemos por lá em Julho/2017 e pudemos presenciar essa invasão no “país dos Incas”. Pois é… Apesar dessa denominação, o Peru vai muito além disso.

Lima é uma cidade rica em opções de culinária e lazer, e passear pelo seu Malecón em dia de sol ou pelo centro da cidade são ótimas pedidas. Puno é a cidade-base para passeios ao lado peruano do Lago Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo e onde se especula que tenha nascido o Império Inca. Arequipa é uma cidade à la française, com um arzinho europeu e uma oferta espetacular de restaurantes deliciosos a preços justos. Nazca é uma boa passagem em direção ao litoral peruano, principalmente pelas famosas Linhas de Nazca. Ica é modesta, mas abriga um oásis um tanto quanto interessante, além de ser a principal região vinícola do Peru. Paracas é um ótimo ponto para se visitar as Islas Ballestas (também chamadas de “Galápagos do Peru”) e a Reserva Nacional de Paracas.

Percebeu que eu não falei de Cusco? Pois é… Se você tá planejando ir pro Peru, há 110% de chance de você ter incluido Cusco no seu roteiro. A cidade realmente é um must do país e há muitas coisas para fazer e descobrir nos seus arredores, especialmente sobre os incas.

Então, nesse post vou dar algumas dicas de como se prevenir de roubadas, como corridas de táxi 5x mais caras, empresas de turismo (você VAI precisar delas) sacanas, tecidos peruanos falsificados, notas falsas, dentre outros.

1 – Quanto custa a corrida de táxi do aeroporto para o centro da cidade, em Lima e em Cusco? Há outras alternativas? 

No Peru os taxistas não usam taxímetro. O preço deve ser combinado (e pechinchado) antes.

Lima: logo ao sair do aeroporto você avistará uma horda de táxis. Em geral eles costumam ser seguros, mas vão querer te cobrar beeem mais caro só por causa da tua cara de turistão (sério, não tem como disfarçar). Fomos do aeroporto Jorge Chávez até Miraflores (divisa com San Isidro) com nosso anfitrião do AirBnB, que era peruano, o que ajudou na pechincha. Foram 25 soles (+/- 25 reais) e detalhe: era de madrugada, quando os preços costumam ser mais altos. Fique atento, porque eles costumam pedir 50 soles pelo mesmo trajeto. Calcule a distância que você vai precisar percorrer e compare com o trajeto que fizemos para ter uma noção de quanto você deve pagar!

DICA HIPER-ULTRA-MEGA MÃO DE VACA: uma alternativa é pegar as vans populares, que ficam no lado de fora do aeroporto, à direita. Basta perguntar onde ficam. Você pode atravessar Lima por menos de 2 soles! É uma opção bem interessante, exceto se você estiver atrasado ou se for tarde. Optamos por esse meio quando precisamos fazer o caminho de volta. Pegamos uma van que passava pela Av. del Ejercito, em Miraflores, e pagamos 2 soles pelo trajeto até o aeroporto, de cerca de 45min.

Cusco: também há taxis logo ao sair do aeroporto, e costumam ser confiáveis. Entretanto, é muito mais fácil pechinchar com os táxis que passam na rua em frente ao aeroporto. A aparência do lugar dá um pouco de medo, mas fique tranquilo. Conseguimos pagar 6 soles pelo trajeto até a Plaza Mayor (ou Plaza de Armas) e ainda rachamos com um casal de italianos. Ou seja, 1,50 sol para cada um! Os táxis do aeroporto costumam pedir 20 soles e são um tanto irredutíveis. É, sem dúvida, a melhor alternativa.

IMPORTANTE: saia com boa antecedência se for pegar um voo, pois o trânsito no Peru é caótico! Isso vale ainda mais para Lima, capital de 9 milhões de habitantes, cujo aeroporto fica na cidade vizinha de Callao.

2 – Como diferencio notas falsas de notas verdadeiras?

Não é difícil: quando receber as notas, observe disfarçadamente se a marca d’água está presente, colocando a nota contra a luz. Além disso, estique-a, visto que as notas peruanas são feitas de um papel muito resistente, que dificilmente rasga.

Os amigos do Viajei Bonito fizeram uma ilustração didática com alguns pontos a serem observados para descobrir se a nota que você recebeu é falsa.

3 – Será que a empresa que tô pensando em escolher é confiável?

Para saber isso, consulte o grande oráculo do mundo: internet. Jogue o nome da agência no Google e veja os reviews dela no TripAdvisor e outras plataformas.

Ah, e não se esqueça de pechinchar, eles sempre diminuem um pouco o preço. Se gostou dos serviços daquela empresa, não hesite em contratá-la novamente e pedir ainda mais desconto por um pacote de tours.

4 – Como se proteger de armadilhas “pega-turista”?

Com a massificação do turismo no Peru, diversas armadilhas começaram a aparecer. A mais notável, sem dúvidas, são as mulheres vestidas com trajes tradicionais acompanhadas de dóceis (nem tanto assim) lhamas e que cobram por uma foto. Aliás, todos que se vestem de maneira tradicional em locais turísticos esperam uma humilde recompensa se você tira uma foto com eles. Se você fizer questão, não há problema nenhum (só não se esqueça de liberar uns trocados). Caso não queira se submeter a isso, tome cuidado, pois presenciamos uma cena um tanto quanto triste na Ilha Taquile, no Lago Titicaca: 3 crianças com trajes tradicionais “invadiram” a foto de uma turista, a qual teve de pagá-las no final. Também vimos a apresentação de um garoto de uns 7 anos que cantava em quechua para receber uns trocados. Infelizmente países mais pobres com um turismo de massa têm dessas coisas.

5 – Como fazer uma viagem segura pelo Peru?

O Peru, em geral, não costuma apresentar sérios riscos aos turistas. Apesar de ser um país de fortes desigualdades e, consequentemente, com diversos bolsões de pobreza, não nos sentimos acuados em nenhum momento pelo país. Mesmo assim, sempre é bom prevenir, com pequenas coisas:

  • Não se esqueça de comprar um seguro-viagem
  • Procure não andar com itens caros à mostra (câmera no pescoço, celular na mão, carteira no bolso de trás), sobretudo em áreas de grande movimentação
  • Fique atento aos golpes que mais atingem turistas (batedores de carteira, notas falsas)
  • Para transporte intermunicipal, recomendo a empresa de ônibus Cruz del Sur. É um pouco mais cara que as outras, mas é pontual e confortável (tem poltronas reclináveis, TV individual e alimentação)
  • A não ser que você goste muito de aventuras, vá para Machu Picchu de trem (prepare-se, é caro, muito caro)
  • Leve os itens de maior importância (cartões, dinheiro e passaporte) em um porta-dólar, e coloque-o por dentro da calça, envolto na cintura. É a modalidade mais segura para transportá-los
  • Se vai sair à noite, use Uber ou táxi

6 – Como não ser enganado na compra de tecidos?

Os tecidos peruanos são mundialmente conhecidos por sua qualidade, sobretudo o pima, a lã de lhama e a de vicunha. Itens feitos desses produtos são vendidos em qualquer lugar. Mas nem sempre eles são feitos deles hehehe. Tenha em mente que artigos feitos desses tecidos, sobretudo da lã de vicunha, são muito caros. Um casaco de lã de lhama não deve sair por menos de 100 soles. Já se você não se importa com o tecido de que é feito o produto, pague 30 soles em um casaco “de lhama” no Mercado San Pedro, em Cusco. Mas se quiser produtos originais, procure lojas de rua que aparentem ser confiáveis e que vendem produtos mais caros.

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