Qorikancha: o templo mais importante do Império Inca

A história

Em quechua, a palavra Quri significa ‘ouro, dourado’ e Kancha, ‘recinto, local que delimita’. Portanto, Qorikancha significa recinto dourado ou lugar que delimita ouro. E isso não é por acaso. Na cultura Inca, a deidade principal era o Sol, sendo que esse era relacionado ao ouro. Tanto que, originalmente, o lugar se chamava “Intikancha” ou “Intiwasi”, ou seja, recinto do deus Sol (Inti, em quechua).

Hoje Convento de Santo Domingo, devido à invasão espanhola, o Qorikancha era o templo mais importante para a religião Inca. Foi edificado pelo Inca (“Rei”) Manko Qhapak, mas foi Pachakuteq, em 1438, quem o reconstrui, expandiu e modernizou. Foi construído com andesito, uma rocha magmática comum nos Andes, e de tal forma que fosse resistente a sismos (pedras maiores na base e inclinação em direção ao interior). Outro detalhe que impressiona é o perfeito encaixe entre as pedras. Para isso, os trabalhadores que construíram o templo tinham de moldar cada uma das pedras e, por tentativa e erro, encaixá-las como um quebra-cabeça, sem usar qualquer argamassa.

Parede construída pelos incas na época do Qorikancha. Note a estreita junção entre as pedras e a inclinação da parede. Tudo isso contribuía para que as estruturas não fossem abaladas por terremotos.

Segundo Inca Garcilaso de la Vega, cronista de ascendência inca e espanhola nascido em 1539, havia no complexo o Templo do Sol, onde se encontrava uma grande placa de ouro com a forma de um “rosto redondo, raios e chamas”, em cujos lados se encontravam os corpos embalsamados dos Incas, ou Mallki. No lado oriental, havia também o Templo da Lua, considerada esposa do Sol, onde havia uma placa de prata e os corpos embalsamados das esposas dos Incas, ou Qoyas. Próximo estava o Templo de Ch’aska (Vênus) e das Estrelas, consideradas criadas da Lua e preponderantes na observação astral e na previsão do futuro. Ainda hoje os povos andinos acreditam que o brilho das estrelas é capaz de predizer a próxima temporada agrícola. Em frente ao Templo das Estrelas se encontrava o Templo de Chuki Illapa, uma deidade composta por raio, relâmpago e trovão, considerada criada do Sol. Por fim, ao ocidente deste, havia o Templo de K’uychi ou Arco Íris, outra divindade Inca, que aliás foi adotada na representação de brasões do Tahuantisuyo (como o Império Inca era chamado).

Pedro Cieza de León, conquistador espanhol e cronista, no livro “El señorio de los Incas”, conta que o Grande Sacerdote do Império Inca, chamado Vilaoma, tinha sua morada no templo, onde realizava sacrifícios junto com outros sacerdotes. O Inca só se fazia presente em dias de festa. León ainda conta que muitos não acreditavam nos relatos de que o templo era coberto de ouro e prata, até o dia em que grande parte dessa riqueza foi levada a Cajamarca para pagar o resgate de Atahuallpa, último Inca, capturado pelos espanhóis. O cronista não deixa dúvida: “…era um dos ricos templos que houve no mundo”. Hoje, restam os trabalhos de pedra feitos pelos Incas.

Após a conquista do Império Inca (ou Tahuantisuyo) pelo espanhol Francisco Pizarro, em 1532, a área onde ficava o Qorikancha foi dada a seu irmão, Juan Pizarro, que a doou à Ordem Dominicana em 1536. Esta, então, ordenou a demolição de parte do Qorikancha para a construção de um convento e igreja. No grande terremoto de 1950, algumas estruturas do convento ruíram, de modo que vestígios incaicos se tornaram visíveis. Hoje, o local é um misto de arquitetura inca e espanhola. Algumas paredes da época do Qorikancha foram preservadas, mas a maior parte foi demolida para a construção do Convento, que hoje toma a maior parte do local.

Claustro do Convento de Santo Domingo, por onde a visita começa. Ao redor há pinturas que contam a vida de Santo Domingo. Nas laterais também ficam os vestígios dos antigos templos incas. O mais bem preservado deles é o da Lua!

A visita guiada

Visitamos o Qorikancha como parte do City Tour por Cusco, que inclui ainda visitas a Q’enqo, Sacsayhuaman, Pukapukara e Tambomachay. Dura uma manhã ou uma tarde, de acordo com sua preferência. Basta procurar uma das centenas (quiçá milhares) de agências de viagem espalhadas pela cidade e negociar o preço do passeio (sempre negocie!). Pagamos 15 soles cada um por esse tour, em uma empresa com a qual já tínhamos negociado outros pacotes (essa é uma boa estratégia, mas tenha certeza de que ela é boa antes de contratar outros serviços). Esse preço incluía transporte e guia, mas NÃO as entradas (o bilhete para o Qorikancha custa 10 soles – inteira – e 8 soles – estudantes – e não está incluído no Boleto Turístico). É possível realizar a visita ao Qorikancha de forma autônoma também, basta pagar a entrada. Há algumas poucas explicações no interior, o que pode dificultar a compreensão acerca da história do sítio.

Mais um vestígio incaico. Os buracos nas paredes não são janelas! Eles eram usados para exibição de artefatos com valor religioso, como estátuas de divindades.

Informações importantes

O quê? Visita guiada ao Qorikancha, em Cusco

Quanto? A entrada custa 10 soles (8 para estudantes) e não está incluída no pacote do City Tour (pagamos 15 soles por ele). A visita guiada é parte do City Tour, que inclui ainda visitas a Q’enqo, Sacsayhuaman, Pukapukara e Tambomachay.

Quando? Segunda a Sábado, das 8:30 às 17:30. Domingo das 14h às 17h.

Como chegar? Se você for com o tour, eles te levam de ônibus. Se você for sozinho, basta tomar a rua oposta à Catedral de Cusco, descer pela Av. El Sol e em menos de 10 minutos você estará no sítio.

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