Onde comer e beber barato em Buenos Aires

Buenos Aires pode não ser a ‘Meca’ da comida barata, principalmente se comparada a algumas cidades asiáticas. A capital argentina, que já foi conhecida por seus preços atraentes, foi assombrada pelo fantasma da inflação, e hoje já ostenta valores similares às grandes capitais europeias. Apesar disso, a cidade não decepciona os pães-duros de plantão (como nós), que fazem qualquer coisa pra manter o budget no limite.

A linha de frente da comida barata em BsAs é basicamente composta por pizza, empanada e choripán (pão com linguiça). Apesar da fama, o último não é assim tão fácil de achar, pelo menos na rua, já que a capital não é tão rica em opções de comida callejera.

Preço justo: espere pagar cerca de ARS30 por uma fatia de pizza de mozzarella ou por uma empanada (qualquer sabor, frita ou assada) e ARS50 por um chori (como é chamado carinhosamente o choripán).

Agora vamos dar nome aos bois e saber quais estabelecimentos merecem entrar na nossa lista budget-friendly:

*Considere que R$1 = ARS7 (pesos argentinos) quando estivemos lá, em Julho de 2018

COMER

Pizzeria Güerrin

Fachada da Güerrín e o Obelisco lá atrás
Fatia de muzza com fainá (à esquerda) e uma fatia de muzza repleta de queijo (à direita). O preço é menor se você comer em pé, do jeito clássico, nesse balcão!

Um clássico da Av. Corrientes, foi fundada em 1932 por dois imigrantes genoveses. Até hoje, o balcão onde as pizzas e empanadas (sim, as pizzarias em BsAs costumam servir empanadas!) são colocadas é o mesmo da época.

Para quem estiver passeando pelo Obelisco, Teatro Colón ou até mesmo Congresso Nacional

Espere pagar ARS34 por uma fatia grande de mozzarella e ARS30 por uma empanada (frita ou al horno, não importa o sabor)

Fica na Av. Corrientes, 1368. Estação Uruguay (linha B do metrô) ou Tribunales (linha D)


Leia também: O que não deixar de fazer em uma primeira visita a Buenos Aires


Pizzeria Kentucky

Interior da Pizzeria Kentucky. É só pedir e se sentar numa das mesas, ou então comer em pé no balcão (nesse caso, o preço é o mesmo)

Mais uma tradicional pizzaria porteña, nos salvou pelo menos 1 vez durante a viagem. O slogan ‘Sempre há um Kentucky por perto’ não é à toa. São diversas franquias espalhadas pela capital argentina e até uma em Luján! Então não se espante se ver várias delas pelas áreas turísticas de Buenos Aires.

Para quem estiver passeando pelo Ateneo Grand Splendid, Casa Rosada, Congresso, Puerto Madero, Plaza Dorrego, Galerías Pacífico, dentre outros

Espere pagar ARS30 por uma fatia de muzza. O melhor ainda é o combo 2 fatias de muzza + fainá (massa à base de grão de bico) + refri ou chopp por ARS80 (meros R$11!!!)

Fica em vários lugares da cidade: dá uma conferida nesse link

Food trucks nas Costaneras Norte e Sur

O carrinho mais conhecido e apreciado da Costanera Sur: Que Parrillón

A Costanera Norte, exatamente ao lado do Aeroparque Jorge Newbery (o aeroporto que fica dentro da cidade), e a Costanera Sur, próxima à reserva ecológica de mesmo nome, em Puerto Madero, são repletas de food trucks que servem clássicos argentinos: choripán, sanduíche de bondiola (carne do pescoço do porco), hambúrguer etc. Pra falar bem a verdade, a limpeza não é das melhores, mas nada que afete os fortes de estômago. A qualidade também é contestável: o chori não representava nem 10% do sabor que deveria ter (como descobriríamos depois ao experimentar um autêntico choripán argentino em Mataderos). Ainda assim, é uma opção barata pra que está mochilando.

Para quem estiver passeando por Puerto Madero e pelos arredores do Aeroparque

Espere pagar entre ARS50 e ARS60 em um choripán; a bondiola é uns 20 a 30 pesos mais cara

Fica nas Costaneras Norte e Sur

Baghdad – Las mil y una noche

Comida árabe rápida e bem servida. Comemos um Fatay (uma espécie de assado de carne) grande por ARS40. Eles também servem shawarma, hommus, babaganoush e por aí vai. O principal, sem dúvida, é a localização privilegiada, que nos salvou duas vezes: ele fica perto do Obelisco, bem ao lado do Teatro Gran Rex.

Pra quem estiver passeando pelo Obelisco

Espere pagar ARS40 em um Fatay e ARS70 pela porção de hommus

Fica na Av. Corrientes, ao lado do Teatro Gran Rex


Leia também: Transporte público de Buenos Aires: como usar metrô, ônibus, bike e ônibus turístico


Buffet por Kg

Um dos buffets por Kg do centro de Buenos Aires. Os preços geralmente estão colados à vitrine

Estão espalhados por diversas partes do centro turístico, especialmente no centro da capital. São sobretudo restaurantes chineses que oferecem um vasto buffet no horário do almoço. Vimos desde buffets por R$25/kg até R$35/kg, o que é barato, pelo menos para o padrão de Floripa. Fomos em um e gastamos cerca de R$9/cada, sem bebidas. Porém, infelizmente, não gostamos e acabamos não adotando nos outros dias. As opções são variadas, mas nada de muita qualidade. Além disso, a comida esfria rapidamente. Apesar disso, com toda certeza é uma das opções mais baratas se você quer comer comida de verdade, e não só junk food.


Leia também: Como ir dos aeroportos de Buenos Aires ao centro (e vice-versa)


Feria de Mataderos

Um dos melhores churrascos que já comi na vida! Sério, se forem lá, procurem esse vendedor!!
Mais um vendedor… Ao lado dele, há tendas que vendem empanadas e pratos feitos

Essa feira de tradições gaúchas acontece todo domingo no bairro de Mataderos. Por ser afastado, demora um pouco para chegar lá de ônibus (pouco mais de 1h). Fomos direto da Feria de San Telmo e achamos que valeu super a pena (inclusive gostamos mais da de Mataderos!). Sendo uma feira gaúcha, não poderia faltar um bom churrasco à moda argentina. Há diversos vendedores, alguns em tendas e outros apenas com uma churrasqueira e uma mesa improvisada no gramado (fomos em um desses e não poderia ter sido melhor). Experimente o choripán e o sanduíche de bondiola, e não vai se arrepender!

ATENÇÃO: Logo ao lado da feira, na Av. Eva Perón, há uma villa miseria, uma espécie de ‘favela’ de Buenos Aires, portanto redobre sua atenção. Descobrimos isso sem querer, na tentativa de pegar o ônibus de volta ao centro turístico, que sai exatamente dessa avenida. Conversei com um morador local, que me alertou sobre o perigo do local, já que, segundo ele, pessoas ‘de fora’ ficam mais vulneráveis.

Utilize o aplicativo Moovit para ver o melhor caminho até lá e de volta

Espere pagar ARS50 pelo chori e ARS80 pela bondiola. Há empanadas e hambúrgueres nas tendas, além de pratos feitos. Tudo por um preço acessível!

Fica na intersecção da Av. Lisandro de la Torre e da Av. de los Corrales

Supermercado Día e Carrefour

Nós e nossa sacola reutilizável em mais uma ida ao Día
Açougue Carnipol, em Villa Crespo

Por que não cozinhar para economizar para a próxima viagem, hein? Se você dispõe de cozinha no lugar em que está se hospedando, essa pode ser uma ótima opção. Costumávamos almoçar algo rápido na rua (pizza, empanada ou chori) e à noite cozinhar na casa compartilhada em que ficamos pelo AirBnB. Para isso, comprávamos nossos mantimentos no Día, famosa rede de supermercados em Buenos Aires. Os estabelecimentos costumam ser pequenos, mas oferecem o necessário (inclusive uma bela seção de vinhos argentinos a preço de banana). Há ainda algumas unidades do Carrefour na capital. Entretanto,  se quiser preparar uma carne, deixe para comprá-la nas carnicerias (açougues), que também são abundantes na capital argentina. Frutas e verduras também são facilmente encontradas em verdureiras, principalmente nos bairros menos turísticos (como em Villa Crespo, onde ficamos, por exemplo).

Além de ajudar o seu budget, cozinhar pode ser uma ótima forma de sentir como é viver no local. Ir às compras com a sua sacola retornável (compre uma, já que o supermercado não dá sacola plástica), conversar com as pessoas e preparar sua refeição em um ambiente compartilhado faz com que você se sinta em casa, e não em um lugar alheio ao seu dia-a-dia.

Guloseimas

Buenos Aires também é sinônimo de dulce de leche e alfajor! O primeiro comprávamos no supermercado mesmo: as duas melhores marcas são La Sereníssima e SanCor (por recomendação de um porteño!). O segundo comprávamos nos kioskos, verdadeiros quiosques espalhados pela cidade e que vendem de tudo, inclusive doçuras. Experimentamos diversas marcas de alfajor, desde Havana (que os locais nem comem, é só pra turista ver mesmo) até Jorgito, Caicayen, Cachafaz, Capitán del Espacio, Guaymallen, Bon Bon e por aí vai. Os nossos preferidos foram Cachafaz (que é o mais caro, cerca de ARS35 – razão pela qual só comemos 1 vez haha), Caicayen (muito bom, mas mais difícil de achar) e Jorgito (adorado pelos locais, e também mais acessível – cerca de ARS20).

Uma bela dica para quem quer levar alfajores de presente para a família – ou só pro próprio consumo mesmo – é comprar nas lojas de golosinas, como a que fomos em Villa Crespo, chamada Dulsisa (Av. Raúl Scalabrini Ortiz, 444). Lá se pode comprar caixas com até 24 alfajores, o que faz com que a unidade seja muito mais barata (pagamos ARS300 por uma caixa de Jorgito).


Leia também: Microcentro: uma visita ao coração de Buenos Aires


Outras opções

Colocamos na lista apenas os lugares que frequentamos. E, para ser bem sincero, são os lugares mais baratos possíveis se você quer economizar uma boa grana em alimentação. Há outras opções um pouco mais caras, mas ainda baratas a depender do seu bolso. Se você dispõe de um budget médio a elevado, não se preocupe.

A parrilla ‘El Gran Mosquito‘, em Almagro, por exemplo, é considerada uma das melhores da cidade e há opção de tenedor libre (‘garfo livre’, em tradução literal – ou seja, comida à vontade) por apenas ARS320/pessoa (cerca de R$45), sem bebidas.

Há ainda o famoso Sarkis, que serve comida armênia a um preço razoável (entre ARS200 e ARS350 por pessoa, com bebidas). Não sei se surpreende a quem aprecia e conhece bem a culinária do Oriente Médio/Ásia Central, mas dizem ser a melhor comida do tipo em BsAs.

No inverno, não deixe de experimentar o Locro, uma espécie de feijoada à argentina. Dizem que o melhor fica no Ña Serapia, um restaurante simples porém de tradição em frente ao Parque Las Heras, na Recoleta. Outra opção é o conhecidíssimo El San Juanino, que também oferece empanadas de respeito, segundo os jornais e blogs que consultamos. O prato individual (bem servido) não sai por menos de R$20.

O tradicional Locro. Esse comemos no Famaillá

BEBER

Não há dúvida de que o vinho é a bebida nacional da Argentina. Apesar disso, nos surpreendemos com a quantidade de cervejas artesanais de qualidade na capital porteña. Confere alguns pubs que selecionamos pra curtir o fim do dia:

Hops Cerveza Artesanal

Stout, Honey e maní, um verdadeiro trio amoroso

São 8 torneiras com diversos estilos (até Honey tinha, raro de ver no Brasil), um ambiente aconchegante e, como de praxe nos pubs porteños, maní (amendoimde graça! Vá no happy hour, entre 18h e 21h, e pague incríveis (de novo, para os padrões florianopolitanos) R$9 em um pint americano e R$15 por um canecão de 1L, no maior estilo Hofbräuhaus. As fritas com molho para duas pessoas saem por cerca de R$20.

Endereço: Castillo 422, Villa Crespo, Buenos Aires

El Galpón de Tacuara Palermo

Como o nome já diz, fica em Palermo, bem no agitado coração do bairro. Chegue no happy hour e pague ARS125 (R$18) por 2 pints de cerveja artesanal de altíssima qualidade. O ambiente é industrial, algumas mesas são compartilhadas, há amendoim gratuito e a localização é ótima! Há diversas opções de comida, mas não provamos.

Endereço: Malabia 1574, Palermo, Buenos Aires

Há ainda as cervejarias On Tap (pela qual ficamos curiosíssimos em ir, mas infelizmente não conseguimos. Fica em Palermo), Buena Birra Social Club (parece ter um ambiente legal, com uma filial em Colegiales e outra em Palermo), Bodega Cervecera (Palermo), Gull Cerveceria (Palermo) e Cerveceria Charlone (Colegiales), às quais não fomos porém possuem ótimas avaliações de quem já foi. Há ainda a Cervelar, que possui diversos estabelecimentos pela cidade, o que me deixa com o pé um pouco atrás.

Não experimentamos as tradicionais Quilmes e Patagonia, muito menos a Brahma (que entrou com tudo no mercado argentino), já que somos adeptos do movimento ‘support the local‘ e não curtimos essas cervejas industrializadas.

Vinho

Nosso parque de diversões bonaerense

Há alguns wine bars em BsAs, mas confesso que não fomos a nenhum. Não por falta de vontade, mas pelo fato de a taça de vinho em um desses lugares ser mais cara que uma garrafa inteira do mesmo vinho no supermercado hahaha. Por isso comprávamos vinho nos supermercados Día e levávamos para casa.

Se você tem alguma outra sugestão de comida/bebida barata em BsAs, compartilha com a gente! Quem sabe não ajuda outras pessoas ou até nós mesmos, em uma próxima viagem à cidade?!

 

 

 

Comentários

  1. Pingback: O que não deixar de fazer em uma primeira visita a Buenos Aires » Filosofia de Viajante

  2. Sal

    Parabéns!! Excelente o blog de vocês. Vou pra Argentina em Novembro e vocês têm me ajudado muito. Valeu mesmo!! Muito Obrigado

    1. Post
      Author
      filosofiadeviajante

      De nada Sal! Fique ligado que lançaremos mais posts de Buenos Aires em breve! Obrigada por valorizar nosso trabalho e que bom que estamos podendo ajudá-lo!

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