A importância de ler sobre o seu próximo destino e o “slow travel”

Porque viajar é tão bom? Porque nos faz aprender, muitos diriam. Mas será que o aprendizado é automático ou precisamos ir atrás dele? Na minha opinião, um pouco dos dois, porém sempre defendo muito que o viajante leia sobre o lugar que ele vai visitar. Isso significa dizer que é prudente, meses antes da viagem, buscar além de guias de viagem (para o planejamento da mesma) livros que possam ilustrar sobre a história e a realidade daquele lugar. Isso porque ao desembarcar, você entenderá tudo melhor. Será mais independente de guias (que às vezes são dispensáveis, às vezes não) e terá maior juízo critico sobre tudo que for ver. Exemplo: quando fomos visitar o Peru, vimos muitos sítios arqueológicos, que se não forem estudados com antecedência, não serão compreendidos em toda a sua genialidade. Eu e o Henrique, que pessoalmente não gostamos muito de passeios guiados (e por vezes, engessados), nos arrependemos de não ter lido tanto sobre os lugares antes. Acabamos tendo que ouvir uma única versão dos fatos.

Ler sobre o destino também nos ajuda a ir para “Off the beaten path”. Isso quer dizer: ir para lugares pouco explorados, pouco explicados, pouco turísticos. O turístico é muito fácil de ser achado e é senso comum muitas vezes até para quem nunca esteve nele (todo mundo conhece Machu Picchu, Estátua da Liberdade, Tour Eiffel, etc). Mas só uma pesquisa minuciosa é capaz de te levar para lugares não batidos. Hoje a Internet possui muitas, mas muitas informações sobre quase todos os lugares do mundo (alguns muito mais que outros)  e ela pode ser sua aliada nessa busca. Há sites com fóruns e experiências de viajantes de todo o mundo, há avaliações de atrações, de hotéis, hostels, campings que podem te guiar para a realização do roteiro de viagem. Mas é preciso destrinchar muitos sites diferentes e guias de viagem (falamos sobre eles nesse post) que podem ser utilizados in loco também. O maior segredo é: diferentes fontes de pesquisa sempre.

Outro ponto interessante é aprender o idioma do país. Calma, não é preciso falar fluente todas as línguas do mundo. Claro que línguas como inglês ou as línguas latinas no geral são mais acessíveis a nós. Mas acho que é uma demonstração de respeito e interesse se o viajante pelo menos aprender palavras básicas como “bom dia”, “por favor”, obrigado”no idioma do país visitado. Sem falar que aprender sobre o idioma daquele país é conhecer mais sobre ele e sua história. Talvez se você tiver tempo, seja interessante se aprofundar um pouco mais lendo livros ou estudando linguística (nós amamos S2), se for do seu interesse.

A história também é algo essencial de ser entendido, pelo menos de uma forma geral. Sempre há livros que contam sobre a história do país, ou de forma mais técnica e explícita (às vezes mais densa) e há as obras que explicam a história através de poemas ou prosa, de forma mais leve. Exemplo: o livro Shantaram é um dos mais famosos sobre a Índia. Este explica toda a situação social de Lin, que depois de fugir de uma prisão de segurança máxima na Austrália, Lin desembarca na Índia com um passaporte falso, sem identidade, sem família, deixando para trás um passado de crimes e drogas. E aí começa uma verdadeira aula sobre o país. Outro exemplo: voltamos da Argentina há alguns meses e lá fizemos questão de comprar um livro de Cortázar, um dos escritores mais famosos de lá. E tendo acabado de visitar Buenos Aires o livro fez muito sentido para mim. Mostrava expressões que ouvia , lugares nos quais estive…Bom demais!

E aí que entra outro conceito que defendemos nas viagens, o ”slow travel”, que consiste em passar mais tempo nas cidades/ países que visitamos. Não queremos nos apressar porque queremos conhecer tudo isso que falamos anteriormente. E com pouco tempo, você simplesmente não consegue. Não dá tempo de se aprofundar nas especificidades do país visitado ou nem mesmo conhecer a sua realidade. Às vezes gasta-se mais tempo se deslocando (em aviões, trens, ônibus) do que realmente aproveitando. É muito tentador conhecer tudo (já que estou aqui…), mas cuidado, é preciso encontrar um equilíbrio. Passar mais tempo no local também nos faz criar mais conexões com as pessoas que lá habitam. E essa com certeza é uma das coisas mais tocantes de qualquer viagem. Até hoje não esquecemos as pessoas que passaram pelo nosso caminho.

Percebo também que há um hábito muito comum no mundo dos viajantes: contar o número de países que conheceu. Assumo que também contamos, mas não consideramos isso a coisa a mais importante. Mais relevante que a quantidade é a qualidade. Exemplo: passamos um dia em Bruxelas em 2017, o que me faz pensar que é impossível dizer que conheço a cidade, muito menos que conheço a Bélgica. Não basta uma “passada” para contar na lista, é preciso que tenha deixado uma marca (quero muito voltar pra Bélgica hahhaa). Então, melhor do que contar quantos países conheceu, é tentar conhecer cada um dos lugares profundamente. Vai valer a pena.

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