Turismo sustentável/responsável: qual o seu papel como viajante

A Organização Mundial do Turismo (OMT) define o turismo sustentável como: “O turismo que considera plenamente seus atuais e futuros impactos econômicos, sociais e ambientais, abordando as necessidades dos visitantes, da indústria, do meio ambiente e das comunidades locais”. Esse conceito, como muitos podem pensar, não se restringe somente à conservação do meio ambiente, mas também a aspectos sócio-econômicos. Iremos dividí-lo em três pilares:

  • Pilar ambiental: conservação da natureza
  • Pilar econômico: apoio aos negócios locais (“support the local”)
  • Pilar social: apoio aos projetos culturais locais

Em janeiro de 2015, a resolução da ONU “Promoção do Turismo Sustentável, Incluindo Ecoturismo, para Erradicação da Pobreza e Proteção do Meio Ambiente” reconheceu o turismo sustentável como estratégica para redução da pobreza global, proteção da biodiversidade e desenvolvimento de diferentes comunidades pelo mundo. O ano de 2017 foi  o Ano do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, o que trouxe ainda mais à tona esse tema tão relevante.

Atitudes de um viajante consciente:

1- Escolha destinos “off the beaten path”

Isso significa escolher lugares que ainda não estejam tão sobrecarregados com o turismo. Lugares onde ainda é possível ter experiências mais autênticas, melhor receptividade. Algumas cidades muito turísticas no mundo, como Veneza, Barcelona, Lisboa, já estão se tornando famosas pelas manifestações contra o turismo de massa. Há relatos de turistas sendo mal tratados como reflexo disso. Sair do óbvio não se restringe apenas a escolher um destino pouco explorado. Isso pode ser feito em cidades já bem conhecidas. Em qualquer cidade sempre há lugares que não estão na rota turística convencional, principalmente nas áreas afastadas do centro. Isso significa dizer que é possível sair do comum mesmo em lugares turísticos.

2- Pesquise sobre o destino, entenda-o

Já falamos da importância de ler sobre o destino aqui. Mas além do aprendizado, quando você lê bastante você escapa de experiências muito “batidas” e  lugares ainda pouco explorados. Entender o destino é também saber onde está pisando e saber respeitar a cultura local. Sem falar que, com isso, você consegue adquirir muito conhecimento e muita cultura. Essa é uma das melhores vantagens de viajar. Procure pesquisar não só o roteiro em si, mas tente entender um pouco do idioma, da história e da realidade do local. Isso pode ser adquirido com livros, filmes, entre outros. E hoje com a Internet há muita informação sobre tudo, só é preciso saber filtrar.

3- De preferência viaje na baixa temporada

A mesma ideia de escolher destinos menos óbvios e não sobrecarregar os lugares. Isso é ainda mais importante para cidades muito turísticas, que na alta temporada costumam receber um absurdo de turistas. Não é legal. Mal dá para aproveitar a cidade, tudo é muito cheio, tudo é mais caro… Acho interessante evitar e tentar escolher uma época do ano que também não prejudique seu passeio (por exemplo as monções na Índia e Sudeste Asiático, no meio do ano, período que chove muito lá e que fica difícil passear). De maneira geral,  os meses de março a junho e agosto a outubro costumam ser os mais propícios em praticamente todos os lugares.

4- Slow-travel

Já falamos sobre esse assunto aqui. Viajando mais devagar você evita deslocamentos grandes, que poluem mais (principalmente se você utilizar avião) .Você também se aprofunda mais nos costumes locais, o que como falado acima, faz parte do “pacote” do turismo sustentável. O segredo é segurar a ansiedade de visitar tudo e tentar fazer um roteiro com menos cidades e deslocamentos. Outra dica: não caia na competição de contagem de países que visitou, o mais importante sempre será conhecê-lo bem.

5- Travel light

Viajar mais leve permite que você consiga utilizar mais transporte público ou consiga andar mais a pé. Afinal uma mala pesada é péssima de carregar por aí! Tendo uma mala mais leve você vai evitar mais os táxis, transfers ou Uber. Além disso, uma mala menos pesada faz com que o avião gaste menos combustível e consequentemente, polua menos! Se todos soubessem disso, duvido que tanta gente levaria esses trambolhos que levam…

6- Escolha experiências autênticas e sustentáveis

Hoje a moda é ter “experiências” nas viagens. Há inclusive uma tendência cada vez mais forte no mundo do turismo que é a venda desse tipo de coisa. Na minha opinião as melhores experiências são as que nós mesmos construimos e corremos atrás. Conhecendo e nos tornando amig@s de pessoas diferentes, interagindo, cozinhando no hostel, falando com os locais…Esqueça os estereótipos e vá com a cabeça aberta para todas as experiências que você pode usufruir na jornada. Quando se trata de experiências relacionadas à natureza, se lembre de evitar ao máximo interferir no espaço e de sempre levar seu próprio “lixinho”para descarte de resíduos. É triste quando vemos alguns lugares maravilhosos se tornando sujos e mal cuidados por culpa de muitos que vão passear e não têm o devido cuidado.

7- Compre produtos locais e coma comida local 

Para vivenciar de fato a viagem é preciso conhecer também a comida do povo do lugar em que você está. Costumo dizer que a comida é uma das maiores representantes da cultura de um local. Sem comer comida local, não há como entendê-lo totalmente. Além disso, você está dando dinheiro à comunidade e não a grandes empresas e corporações. E afinal, Mc Donald’s é praticamente igual no mundo todo, não é? Qual a graça disso? Uma das coisas mais legais em uma viagem, em minha opinião, são as feiras e mercados de rua, portanto verifique se há algo parecido no seu destino. Aproveite e sempre pergunte sobre a procedência do produto, para garantir que ele é localmente produzido. Pechinche se for da cultura do lugar (alguns lugares não aceitam bem esse tipo de negociação), mas não abuse. Seja equilibrado. Afinal, em alguns países, sobretudo mais pobres, aquele dinheiro pode ser mais importante para a outra pessoa do que para você.

8- Dê dinheiro para as coisas certas 

Essa lição nós aprendemos muito no Peru, porque víamos muita gente dando dinheiro para coisas erradas. Víamos crianças bem pequenas que invadiam fotos de turistas, cantavam músicas “tradicionais”, entre outras coisas só para receber dinheiro dos estrangeiros. Parece que eles já aprendem a nos abordar. Eu ficava com o coração partido, mas acho que essa não é a melhor maneira de incentivar a comunidade. Acredito que é melhor investir em iniciativas locais, como já expliquei acima.

9- Aprenda um pouco do idioma local

Aprender algumas palavras simples como “bom dia”, “obrigado”, “por favor” e “desculpe” já é suficiente se for uma língua muito complexa (como mandarim, russo, hindi). Em países que falam línguas latinas, é possível arriscar falar um pouco mais. Não tenha vergonha, pois esse é um dos melhores modos de aprendizado. E também não se esqueça que muitas das vezes as pessoas já vão gostar só do fato de você estar fazendo esse esforço.

10- Peça permissão antes de fotografar alguém  

Se você gosta de tirar fotografias, tudo certo. Mas ao fotografar pessoas, nunca esqueça de pedir permissão para fazê-lo. Isso é um sinal de respeito para com elas. Não seja um viajante inconveniente. Os hábitos dos viajantes influenciam no modo como o povo local o recebe. É evidente que se o turismo vier junto de falta de respeito, a imagem dos turistas não será tão boa. Se puder, leia um pouco dos hábitos de cada país (alguns guias de viagem falam um pouco disso) e tente adaptar o seu comportamento a isso.

11- Não faça atividades que maltratem os animais

Nem sempre isso é tão óbvio. Há passeios em que os animais são usados meramente para fins recreativos e portanto não devem ser realizados. Vimos no Peru pessoas pagando para tirar fotos com llamas, já ouvimos falar de pessoas que pagam para andar de elefante, de camelo… Se você quer ver os animais, sugerimos que procure os “santuários”, lugares que se dedicam à proteção de determinada espécie (como o Tamar e o Projeto Lontra, em Floripa, ou mesmo os santuários de elefantes na Tailândia), onde você pode interagir com eles, mas de um modo menos prejudicial. Passeios com animais podem parecer muito interessantes, mas é preciso pensar no bem-estar deles e não só na sua diversão.

12- Não interfira na natureza 

Em trilhas, siga os caminhos já delimitados, evitando criar caminhos fechados. Não arranque plantas, conchas ou qualquer coisa da natureza. Mantenha o ecossistema em harmonia, evitando ao máximo modificá-lo. A natureza não pode servir de souvenir. Não acampe muito perto de rios ou fontes de água, pois a fauna local também depende desse abastecimento. “Tire somente fotos, deixe apenas pegadas”.

13- Caminhe e use transporte público

Aqui relembro o que eu disse no tópico “travel light”. Com certeza utilizar transporte público, andar de bicicleta ou caminhar (melhor caminhar) é melhor que utilizar um táxi/Uber que vai poluir e ocupar mais espaço nas ruas. Para isso,  pesquise antes de ir sobre como funciona o transporte público da cidade (se é por metrô, tram, monotrilho, ônibus). Sabemos que em algumas cidades o transporte público inexiste ou é de péssima qualidade, portanto nesses lugares prefira se hospedar perto das atrações. Dessa maneira, você poderá acessá-las a pé.

14- Use trem em vez do avião nos deslocamentos maiores (na medida do possível)

Sabemos que em alguns lugares isso é mais difícil. Em geral na Europa, no Canadá, em alguns países da Ásia (como Índia e China) e um pouco nos EUA é possível fazer trajetos maiores de trem. Se não for possível e tiver que pegar avião, escolha trajetos diretos, que são mais rápidos, logo poluem menos.

15- Utilize menos plástico

Evite ao máximo as garrafas de plástico. Leve a sua própria garrafa de metal (ou de qualquer outro material que não plástico) e vá repondo água sempre que possível. Evite sacolas plásticas levando a sua própria sacola reutilizável. O plástico polui os mares e prejudica vários animais que lá habitam. Na sua próxima viagem se imponha um desafio: utilizá-lo o mínimo possível. A NatGeo divulgou uma reportagem muito interessante sobre uma viagem com menos plástico. Se quiser lê-la, clique aqui.

16- Descarte corretamente seu lixo

Esse assunto é muito sério. Quando estamos nas nossas andanças por aí, o que mais vemos é lixo sendo descartado de forma errada. Lixo nos rios, nas praias, nos campings… Às vezes  parece que esse assunto é batido, mas na verdade ainda vemos muito descarte incorreto de lixo e isso piora quanto mais turístico um lugar. O turismo de massa me parece prejudicial também pelo volume de lixo que gera nas cidades mais visitadas. Em hotéis, hostels, albergues ou AirBnBs tente se informar se há reciclagem de lixo e coleta seletiva e tente ao máximo participar disso. Não é porque está viajando que tem que esquecer os bons hábitos!

*Você quer saber o quão sustentável você é nas suas viagens? “O Globo” tem uma enquete bem interessante que mede exatamente isso. Para respondê-la, clique aqui.

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