Tomando um banho nas Cataratas do Iguaçu

… / De repente parei. Longe, bem longe / Um ruído indeciso, informe ainda / Vinha às vezes, trazido pelo vento. / Apenas branda aragem perpassava / E pelo azul do céu, nenhuma nuvem. / Que seria? De novo caminhando / Mais distinto escutava o estranho ruído / Como que o ronco baixo e surdo e cavo / De um gigante de lenda adormecido. / …

… / A cachoeira, Senhor! A cachoeira! / Era ela. Meu Deus, que majestade! / Desmontei. Sobre a borda da montanha / Vendo a água lançando-se em peitadas / Em contorções, em doidos torvelinhos / Sobre o rio dormente e barulhoso / Eu tive a estranha sensação da morte. / …

Ah, Vinicius de Moraes… Se eu não tivesse visto a grandiosidade e a imponência dessa água que, abundante e quase que infinita aos olhos, desce pelas pedras e resvala num paredão [não mais de pedra, mas de água], formando um nevoeiro, um amontoado de partículas que nos atinge. Nos molha. Nos diverte. Nos encanta. Esse é o poder das Cataratas do Iguaçu. Não que o grande poeta estivesse pensando nelas, mas pelo menos quando eu escolhi esse poema, eu estava.

E quando a descrevo dessa forma, não é porque a senti apenas com meus olhos. Mas é porque a senti com a minha pele. Estar diante da queda d’água nos coloca no lugar de humanos. Não aquele que joga lixo na natureza e que destrói florestas. Mas daquele que [e para isso concebido foi, eu espero], acima de tudo, respeita o poder da Natureza. Tamanho o poder que, ao estar debaixo da “majestade cachoeira”, um disparo de adrenalina serpenteou o meu ser [e de todos a bordo]. “Uau, uau, uau”: italianos, brasileiros, alemães em uníssono, admirados e maravilhados por ter tido a oportunidade de tomar um banho como nenhum outro. Um banho nas quedas das Cataratas do Iguaçu.

E essa oportunidade nos foi dada pela Iguazú Jungle, empresa que opera os passeios no lado argentino das Cataratas do Iguaçu e que nos ofereceu uma prova do principal passeio deles: o Gran Aventura. Tudo começa quando embarcamos em um caminhãozinho todo aberto, adaptado para este fim. Seguimos, já acomodados, floresta adentro. Ali se observa a rica fauna local, composta principalmente de tucanos, araras, lagartos e macacos. São 40 minutos, acompanhado de um guia que nos fornece diversas informações, até que se chega ao ponto de desembarque, uma cabana da empresa. Dela, descemos uma escadaria, da qual já avistamos o poderosíssimo Rio Iguaçu e a estrutura montada pela Iguazú Jungle à beira dele. Os barcos nos esperam. Mas antes, colete salva-vidas pra todo mundo e um saco impermeável enorme, que facilmente acomoda uma mochila grande. Segurança (nossa e dos nosso apetrechos) em primeiro lugar.

Embarcamos no bote e logo o capitão já dá o ar da graça. A correnteza é forte. Estamos falando do maior rio do Paraná. Mas o bote surpreende: segue firme, sem titubear. Nos sentimos pequenos dentro daquela imensidão de água, espremidos por dois paredões de pedra. Que emoção! E não demora muito para que nos deparemos com a grandiosidade das 14 quedas das Cataratas Argentinas. Pausa de alguns minutos para fotos. Nisso, todos se alvoroçam, câmeras e paus de selfie a postos. E nós embasbacados com tamanha maravilha da natureza (aliás, oficialmente reconhecida assim) bem de frente pra nós, cada vez mais pequenininhos. O guia então nos avisa para guardar tudo no saco impermeável. Quando todos estão prontos, o bote ruma ao encontro das quedas d’água. Nesse momento, uma mistura de tensão e êxtase sobe em mim. E agora, será que vamos “tomar um banhinho” aí embaixo? Antes que eu pense na resposta, o capitão nos coloca sob uma das maiores quedas, o Salto San Martín. Todos sorriem, gritam, exclamam! Um momento indescritível, talvez eu pudesse classificá-lo como “o melhor banho da minha vida”. E o chuveirão, ainda por cima, é digno de Maravilha da Natureza.

Depois disso, ainda somos levados a outra queda, um pouco menor mas não menos refrescante. Daí, seguimos de volta à base da Iguazú Jungle. Ao todo, são cerca de 20 minutos de aventura (como o nome do passeio promete), que pareceram horas. Lá, eles oferecem banheiros e vestiários para que os aventureiros possam se trocar. Depois, é só pegar a fila para o caminhão, que leva de volta à sede da empresa no Parque, que fica bem ao lado do Viejo Hotel Cataratas.

O preço da brincadeira? Quando fomos (novembro de 2018), 1500 pesos (cerca de R$170) por pessoa. Não é preciso reservar com antecedência se você chegar cedo ao parque e nem procurar a sede deles. Na entrada, pertinho da bilheteria, já tem um espaço da Iguazú Jungle. Tudo pode ser pago com cartão ou em dinheiro (em reais ou pesos).

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Tem outros passeios?

Além do Gran Aventura, que é o mais caro, a Iguazú Jungle opera outros dois passeios.

O Aventura Náutica, que no momento está indisponível devido a obras no acesso ao embarque, também te leva pra um banho nas Cataratas, mas só em uma das quedas (a menor, o Salto Tres Mosqueteros), e sem a parte do caminhãozinho (que, sinceramente, é bem dispensável) e das corredeiras. O bote sai direto nas quedas d’água. Você também tem que caminhar até o embarque, o que o torna um pouco mais cansativo. O passeio dura cerca de 12min e custa 1000 pesos (pouco mais de R$100).

O Passeio Ecológico te leva em um barco a remo por 2,5km de águas tranquilas, próximo à Garganta del Diablo. A ideia é mais apreciar a fauna e a flora, relaxando um pouquinho. Não fizemos esse passeio, mas acho interessante para aqueles que têm medo dos outros 2 passeios e procuram algo mais tranquilo. O custo é de 400 pesos (cerca de R$45).

IMPORTANTE: menores de 12 anos e pessoas com condições de saúde delicadas (problemas cardíacos, pulmonares, ósseos) não podem participar do Gran Aventura e do Aventura Náutica.


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E qual a diferença pro Macuco Safari?

O Macuco Safari, que é o passeio do lado brasileiro, se assemelha mais ao Gran Aventura. Entretanto, enquanto esse último nos leva a 2 quedas (sendo uma delas o Salto San Martín, a segunda maior do Parque), o Macuco só leva a uma. Além disso, eles não oferecem o saco impermeável, de modo que você deve deixar seus pertences e um armário chaveado. Além disso, o Macuco Safari é consideravelmente mais caro: quando fomos estava custando R$215.

Pelos relatos que li das pessoas que já foram aos 2 passeios, o Gran Aventura foi o vencedor.

Como se vestir e o que levar?

Isso é muito pessoal. O fato é que o Gran Aventura e o Aventura Náutica molham BASTANTE. Como não nos importamos, fomos de chinelo e roupas normais. Já que o dia estava quente, em poucas horas já estávamos secos. Mas, se você se incomoda de ficar molhad@, leve uma roupa reserva e uma toalha na mochila e se troque no vestiário da empresa. Só não pode ir descalço. Lembre que eles oferecem um saco impermeável, portanto não se preocupe.

Se você fizer o Gran Aventura, leve algo para beliscar (uma fruta, cereais ou um lanchinho), já que o passeio inteiro demora umas 2h.

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*Esse post resulta de uma parceria entre o Blog Filosofia de Viajante e a empresa Iguazú Jungle. 

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